3 de maio de 2009

Falsa, mãe.

Eu e tu, tu e eu. Alguém, um ponto minúsculo, um universo em contacto com outro alguém, em contacto com outro universo, em contacto com outro universo,
Dizem que os laços que nos unem não são apenas de sangue, são também laços emocionais, laços que nunca se quebrarão por mais escolhar que façamos, por mais lutas que tenhamos. Laços esses que toda a gente gosta de enaltecer, laços que são e deveriam permanecer sagrados. É o que dizem. Também dizem que a excepção confirma a regra e quem me dera ser apenas uma ovelha como as outras no rebnho, quem me dera que os laços entre eu, ponto e tu, ponto, não fossem excepção, não fossem laços até agora candidatos a quebrarem-se.
Uma coisa é certa, posso dar-me por feliz por te ter. Há milhares de gente que não tem um ponto que está eternamente ligado a ele, com vários e inequebráveis laços. Mas eu não sei o que se passou, não sei o que correu mal, só sei que não sei o que pretendo oter com isto: talvez uma explicação, provavelmente uma solução.
Eu lembro-me dos tempos em que te amava, em que acreditava que nunca te iria perder, dos tempos em que me deitava na tua cama agarrada à tua almofada a chorar pela tua demora, pela tu ausência.. Dos tempos em que quando te via enxugava as lágrimas e ia a correr ter contigo e o meu mundo voltava a viver como vivia antes de me deixares.
Nessa altura tínhamos quase tudo em comum, sentia o que mais tarde me viriam a dizer por definição: eu tinha uma mãe que me apoiava, que brincava comigo, que me fazia feliz.
Depois desses tempos de felicidade começaram a vir os problemas, começaram a haver discussões inúteis, a haver desacordos, diferentes pontos de vista, comecei a conhecer pessoas, comecei a ver o mundo fora dos teus braços e a pedir-te que me deixasses tocar nesse novo mundo, comecei a ouvir rejeições, comecei a ficar desiludida por nao me deixares fazer coisas que considerava normais.
Se há alguém que tenho que culpar sou eu e o meu cérebro estúpido e fechado de criança ( que foste tu que me impuseste) que quando olava para ti sentia repulsa.
Eu, ponto, admito que houve alturas em que pensava "Quando for grande quero ser exactamente o contrário do que ela, ponto,é". Admito que, mais tarde, houve alturas em que te queria bater e não guardava remorsos, pois eu, ponto, pensava que tu, ponto, não eras humana.
Depois destes anos todos só quero voltar atrás e esmurrar o meu cérebro estúpido de criança, dado que agora é quase impossível (voltar a ) ver-te como uma amiga em quem posso confiar sem que me aches estúpida, sem que me tentes pôr num psicólogo, sem que fiques a olhar para mim como quem diz "nao fui eu que lhe ensinei isto, esta não é a minha filha, o meu ponto".
Mas sou, mãe, sou eu e quero que me aceites como sou, apesar de saber que é impossível, pois ao longo de todos estes anos fui pondo em prática a minha ideia de ser exactamente o oposto do que tu és; seguimos caminhos completamente opostos, os laços quebraram-se e os universos deixaram de se tocar.
Eu sei que tu sabes isto, tu própria admisitste. Admitiste que não gosto de ti (tu disseste-o), admite que s´sto de ti em três dias do ano admitiste que andamos a viver uma relação com escrúpulos, calamos, sabemos a realidade mas calamos, pois ambas temos medo da verdade. Somos falsas. E chegámos à falsidade, provavelmente o que me levou a escrever este texto.
Sabes que quero fugir daqui o mais depressa possível, sabes que quero que tu tenhas uma vida que não gire à minha volta e q ao partir não quero partir com remorsos por ter sido falsa durante tantos anos.
Apenas gostaria de ter um laço inquebrável, não apenas de sangue mas também emocional contigo. Escrevo isto sem o objectivo de ficar bonito mas sim de começar a acabar com a falsidade a começar a aproximar o meu universo do teu.
Peço-te, sê minha mãe.

Um comentário:

  1. :l wow.
    Acho que percebi de que é que estavas a falar.
    Escreves mesmo bem *-*

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